top of page

Identificar-se

Em um mundo de coisas cada vez mais iguais, como é possível deixar uma marca no tempo?

Escrever um livro, plantar uma árvore, ter um filho... Cada um, a seu modo, tenta encontrar formas de cadastrar sua própria eternidade em um universo que devora nomes, vidas e sonhos. Somos meros grãos de areia em uma praia diante do oceano, tentando ser diferentes em alguns momentos e, em outros, tentando nos enturmar e formar nossa própria tribo ou turma.

Esse dilema não é algo tão atual, visto que tantas e tantas pessoas já partiram, e apenas algumas raras faces são lembradas — talvez alguns nomes — e algumas atitudes e conhecimentos, mesmo sem um rosto definido, ainda perdurem entre os tempos.

Lembramos de alguns conhecidos, talvez de tios, avós e pessoas de nossa infância, mas com o tempo as prioridades e pressas do mundo vão apagando pouco a pouco esses momentos, enquanto tentamos também deixar em alguém nossas pequenas lembranças.

Dizem que escrever imortaliza — ledo engano, se não houver quem leia, comente e repasse o que escrevemos e pensamos. No fundo, somos do começo ao fim dependentes uns dos outros, até mesmo para estender nossas existências.

Não que essa deva ser exatamente a preocupação.

Há quem diga que basta viver o momento, atravessar mais um março e seguir sendo e fazendo o que se ama, pois pensar demais no futuro acaba por nos ausentar do presente. E, sendo seres de tão pouco tempo para existir, o melhor é construir e viver o aqui e o agora — pensar e logo existir, sem demora — para que cada instante seja inesquecível para nós e, consequentemente, para quem puder partilhar um bom momento conosco.

Que março seja um mês de existir, e que o outono nos faça sorrir.

Em Si na Arte

Por: Marcos S. Gomes



Comentários


carl_jung_tudo_o_que_nos_irrita_nos_outros_pode_nos_lev_l2nd6jo.png
bottom of page